sábado, 12 de dezembro de 2009

JARDIM DOS GNOMOS






Numa floresta onde o sol só entrava nas horas de maior calor, viviam os Gnomos de gorro encarnado e os de gorro azul.
Um dia uma flor vermelha muito bonita nasceu, deixando os Gnomos de gorro encarnado orgulhosos. Logo determinaram que aquela zona lhes pertencia, pensamento e determinação que deixou os de gorro azul zangadíssimos.
O Gnomo mais velho de gorro azul, decidiu ir falar com o mais velho de gorro vermelho. Na sua caminhada curta mas com alguns percalços por tropeçar na longa barba, lá chegou a arfar e bateu à porta do grande carvalho que albergava os de gorro vermelho.
- Toc! Toc! Toc! Um barulho que parecia oco pela imensidão das salas que existiam no seu interior fez pensar que todos tinham saído...devagar a porta se abre e atrás dela um gnomo mais pequeno pergunta ao mais velho o que deseja.
- Quero falar com o gnomo mais velho deste carvalho.
- Por favor entre, vou chamá-lo.
O pequenito lá vai e volta com um sumo de mirtilho e umas bolachas de gengibre.
- Sente-se e prove este sumo e estas bolachas, o meu Tio vem já.
De repente a porta abre-se com força e uma valente gargalhada ecoa na sala.
- Meu amigo Rubibango como as tuas barbas rubis estão brancas, olha para as minhas, também estão mais cinzentas.
- As tuas Melibango? As tuas estão brancas, não cinzentas. Diz Rubibango cheio de flechas pequeninas a picar Melibango.
- Sim, sim, mas as minhas madeixas de mel ainda se notam.
- Sim, sim, pintaste-as com a casca verde de noz...mas ouve, venho falar-te da flor.
- Qual flor?
- Aquela vermelha que nasceu ali no prado. Que beleza hein?
- Sim, mas tem dono.
- Como dono, não vi ninguém semeá-la?
- Sim, mas como está perto aqui da nossa árvore?!?!...
- Então todas as trufas que nascem perto da nossa árvore também são nossas.
- AH NÃO! Essas são de todos.
- Então porquê que a flor não pode ser nossa também?
Grande confusão ecoou dentro do grande carvalho,gritos e mais gritos fizeram acordar o grande mocho, espantaram todas as pequenas aves pousadas e o casal de esquilos ruivos.
De repente o sobrinho de Melibango abana com toda a força que tinha um enorme sino de cobre.Os dois calam-se e ficam espantados e vermelhos de tal forma que pareciam duas flores no prado.
- Porque não esperamos que as sementes caiam? Diz Bilibango, afinal podem nascer mais e podemos dividir por todos.
- Huumm! De dentes cerrados e olhos no chão os dois gnomos mais velhos pensaram.
- Eu aceito. Diz Rubibango.
- Eu tenho que pensar. Diz Melibango.
Enquanto Melibango pensava, Rubibango devorava as bolachas de gengibre e limpava a boca dos bocados presos aos dentes com o sumo de mirtilho.
- ESTÁ BEM! Diz alto Melibango fazendo o prato das migalhas cair das mãos de Rubibango. O prato ficou inteiro mas as migalhas espalharam-se na sala. Logo aparece a correr um esquilo que com sua cauda as varre para uma folha de carvalho.
- Então concordas.
- SIM, vamos ver se nascem mais.
Três dias passaram até que os ventos chegassem e com eles as sementes caíssem. Uma semana passou e todos os gnomos por missão se reuniam à volta do prado a ver se havia novidade.
- AQUI! Grita um deles. Era um pequeno pé de flor que surgia. Foi uma romaria à volta do pequeno pé de flor. Passaram-se mais seis dias e surgiu um botão no pequeno pé. Alguns dos gnomos nem para casa íam só para amanhecer com o Sol e ver o orvalho pingar das ervas verdes do prado e fazer crescer a flor.
- ABRIU! É AZUL! Diz um dos gnomos. Foram logo a correr a chamar os dois mais velhos. Quando chegaram dizem em coro
- AZUL?
Bilibango ria muito ao ver o espanto dos dois gnomos mais velhos. Tinha sido uma lição para todos.
Hoje o prado tem muitas flores encarnadas e azuis, que todas as Primaveras vão surgindo com os primeiros orvalhos da manhã.


Inez Andrade Paes

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