terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gallinula chloropus




Em Inglaterra a Galinha-d'água foi-me apresentada mais em pormenor, num pequeno lago junto a umas casas de campo, lago esse que se tornava sombrio e lamacento devido aos grandes castanheiros selvagens que o cercavam. Dezenas de Esquilos cinzentos por ali andavam de um lado para o outro. - estes Esquilos e os homens que os introduziram, são os responsáveis pelo desaparecimento dos Esquilos ruivos em Inglaterra - .... mas uma Galinha-d'água, chamou-me a atenção pela tentativa de começar o vôo, uma trôpega corrida, levanta, pousa meio desengonçada - como uma avionete com muita carga e algum vento em rajada a levantar em pista de terra batida - com dificuldade consegue, quando já está no ar as patas continuam em posição de quem vai de novo pousar, mas aguenta o vôo de patas descaídas posição característica de sua espécie em vôo, e desaparece para outro lugar. No pequeno lago nada serenamente. De repente em flecha deixa um sulco longo que em pequenas vagas acaba nas margens, apanha um mosquito que paira em cima d'água.
- Raramente se vê em bando, normalmente encontra-se um, dois ou três individuos neste tipo de pequenos lagos, só no Inverno vai juntar-se a mais familiares e aí chega a formar grandes bandos, para migrar -
Pequenos raios de luz entre as folhas dos castanheiros entram como focos a tocar seu corpo, no sombrio lugar o azul profundo transparece do negro, o castanho do dorso parecem pinceladas mal dadas, mas tudo se compõe com o branco a delinear a parte inferior das asas e da cauda. Seu escudo frontal vermelho é a primeira cor a chamar a atenção e bem na ponta do bico parece levar um grão de milho amarelo. Bica de tudo é omnivora, sempre atenta aos bichinhos que erraram o caminho e passaram pela sua frente. Em corrida lá vai a Galinha-d'água apanhar um que se desviou, pata no ar, olhar atento com a cabeça um pouco tombada para um dos lados, espera que o pequeno insecto saia debaixo da pedra, mas o insecto saiu por trás dela, com o branco cal da cauda a parecer-lhe a bandeira da paz e a aflição a desvanecer-se.
Ela tem que se alimentar bem para ter força para chocar os seus cinco ovos castanhos amarelado com pintas que a esperam na sua rápida ausência.

A família é numerosa vive em quase toda a Europa, desde as ilhas Britânicas, sul da Escandinávia descendo em linha recta pela Polónia até à Grécia e preenche todo o território Europeu até tocar a ponta sul da Península Ibérica. Seus parentes mais próximos são os Galeirões (Fulica cristata e Fulica atra) e os Caimões (Porphyrio porphyrio) que como elas habitam também o continente Americano.


Inez Andrade Paes

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