quarta-feira, 11 de novembro de 2020

quinta-feira, 24 de setembro de 2020


 

sábado, 19 de setembro de 2020


 

domingo, 14 de junho de 2020

Notícias que me chegam de Casa


CABO DELGADO 2017 - 2020
sem sossego os mortos gritam

perderam limpas areias que por baixo drenam
e à superfície brilham
bocados partidos e cravados na pele dos meninos

mentindo que a dor é nenhuma

sem sossego
ainda gritam
e os mortos em casa ficam
à espera de passagem que os faça repousar
de um longo caminho

e os mortos no mato ficam
à espera de passagem que os faça repousar

os mortos gritam

Inez Andrade Paes 


terça-feira, 26 de maio de 2020

26 de Maio


esguios estão os teus dedos
hoje mais perto de mim
em segredo
dentro
neste lugar tão perto
onde as acácias esquecem as cores
e as atiram ao chão     
mesmo sem vento
mesmo sem tempo

aquelas flores perfumam o lugar


Inez Andrade Paes

domingo, 12 de abril de 2020

sábado, 21 de março de 2020

MEDITAÇÃO INTERROMPIDA



 do que do tempo limite
de reflexão
nos impeça de amar
seja talvez a ânsia
da visão clara
de que a pequena vaga que lá vem
se transforme em onda
e não ter o tempo necessário    
para passar           para lá

como o barco que corta a onda
e se transporta para o mar largo
libertando-se nas auras da plácida ausência meditativa

saber
ouvir o silêncio
e poder amar
a sua ausência
transfere para o corpo
a desigualdade do estado
capaz da percepção

o perigo é
a transformação de seres ausentes
sem limite
porque não podem amar


( esqueço-me do corpo
que dança em si mesmo
molda-se conforme o espaço
o pensamento
a dor que provoca
é um pé descalço a raspar
na rocha acabada de partir
lembra-me por favor
de que a manhã ilumina as partes mais veladas
e tudo ainda é ritmo
uma noite só              ainda só
dentro do corpo adormecido            ao fundo da casa )

 Inez Andrade Paes  

Poema publicado na Revista Reis n.º 54, Ovar - 2020

domingo, 26 de janeiro de 2020

Pintura em acrílico / recorte

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

sábado, 2 de novembro de 2019


 


leio o culto dos nómadas
entre as pedras e as montanhas
levam cargas poderosas
levam rosas       vermelhas

no ácido das folhas que mascam
aguarelas são os olhos
máscaras sagradas
entre os dentes
e as palmas das mãos
cheias de escaravelhos

Inez Andrade Paes