sábado, 21 de março de 2020

MEDITAÇÃO INTERROMPIDA



 do que do tempo limite
de reflexão
nos impeça de amar
seja talvez a ânsia
da visão clara
de que a pequena vaga que lá vem
se transforme em onda
e não ter o tempo necessário    
para passar           para lá

como o barco que corta a onda
e se transporta para o mar largo
libertando-se nas auras da plácida ausência meditativa

saber
ouvir o silêncio
e poder amar
a sua ausência
transfere para o corpo
a desigualdade do estado
capaz da percepção

o perigo é
a transformação de seres ausentes
sem limite
porque não podem amar


( esqueço-me do corpo
que dança em si mesmo
molda-se conforme o espaço
o pensamento
a dor que provoca
é um pé descalço a raspar
na rocha acabada de partir
lembra-me por favor
de que a manhã ilumina as partes mais veladas
e tudo ainda é ritmo
uma noite só              ainda só
dentro do corpo adormecido            ao fundo da casa )

 Inez Andrade Paes  

Poema publicado na Revista Reis n.º 54, Ovar - 2020

domingo, 26 de janeiro de 2020

Pintura em acrílico / recorte

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

sábado, 2 de novembro de 2019


 


leio o culto dos nómadas
entre as pedras e as montanhas
levam cargas poderosas
levam rosas       vermelhas

no ácido das folhas que mascam
aguarelas são os olhos
máscaras sagradas
entre os dentes
e as palmas das mãos
cheias de escaravelhos

Inez Andrade Paes

domingo, 13 de outubro de 2019

âmbar















a fronte escarpada
o olhar de âmbar
longos olhos que se quebram
num rasgo de certeza

.
Inez Andrade Paes

segunda-feira, 16 de setembro de 2019




sinto

sinto a lança do silêncio
reflecte-se no golpe aceso

sinto-te dor

sempre que o braço percorre o movimento

lança sobre o arco a tensão necessária
para a alma


Erbarme dich, mein Gott


.
Inez Andrade Paes