terça-feira, 21 de setembro de 2010

UNIÃO



ando de braço dado com a solidão
ligeira e acordada
na penumbra do dia que quase se acaba

ando de braço dado com a solidão
ligeiras as duas
como sombras uma da outra
alegres llllldoutas
nos campos rasos de água
da chuva lançada
em torrentes e bátegas que acabam

percorro o seu perfil
exacto
claro
que por vezes se confunde com o meu
quando o olhar de manhã se abre
e me dá a mão para levantar
da profunda solidão em que as duas nos afundamos
na noite secreta

envolvo-me em ti
como aquela dobra fechada do tecido grosso
da cortina que abana

solidão
chamo-te aqui
perfeitamente lúcida
da imensidão de que me apoderas

só de braço dado
só com a solidão

permite-me olhar por aquela janela
e perguntar ao mundo porque chora em si
se todos nós estamos
de braço dado com ela

Inez Andrade Paes

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