segunda-feira, 18 de abril de 2022
segunda-feira, 21 de março de 2022
ci sono uccelli in fondo a quest’oceano
ci sono uccelli
in fondo a quest’oceano
e sguardi esangui accanto alle conchiglie
saprai tu cantare come loro?
o in questo mare il sale non cura?
tante ferite aperte e crude
soffrono come patelle alla deriva
strofinando per terra
le lingue aperte
al margine di
tutti i volti sentiti
e gli sguardi dispersi in mezzo a tutto
quello che è mare e quello che è fondo
(Tradução Anna Fresu)
há pássaros no fundo deste oceano.
e olhares exangues ao lado das conchas
saberás tu cantar como eles?
ou neste mar o sal não cura?
tantas feridas abertas e cruas
sofrem como lapas à deriva
roçando no chão as línguas abertas
à margem de todos os rostos sentidos
e os olhares dispersos no meio de tudo
aquilo que é mar aquilo que é fundo
V.10.16a
Inez Andrade Paes in À Margem de Todos os Rostos,(p.29) - Coisas
de Ler, 2017
quinta-feira, 10 de março de 2022
"Poemas ibéricos"
ama
levanta o olhar para o horizonte
é lá que ao entardecer a morte deixa a paz
ama
levanta la mirada al horizonte
allí al atardecer la muerte deja la paz
(inédito, 2021)
Poemas ibéricos (25) INEZ ANDRADE PAES
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
É PRECISO
É PRECISO
TER MÃOS ABERTAS AO SOL
a imagem não se coordena com o gesto
quando as raízes do pensamento andam perto
tocam no imaginário aberto
ainda a noite deixou traços daquele deserto absoluto
em que corro a amparar o corpo
depois do vento erguer dunas
ao longe
lagos parados
quando a brisa se move lenta
a passar à superfície
a imagem não se coordena com o gesto
dois dedos se movem
mas
o vento os empurra e só no outro momento
os escuto o torpor
dois dedos
como duas colunas erguidas
a um céu aberto cheio de pássaros a voar para o sul
creio ser um sonho
quando os personagens pairam ao meu lado
e os olho como conhecidos
e de braço dado até nos aturamos
porque a imagem não se coordena com o gesto
e tu
e ele
e eu
somos três num deserto
somos três a andar no caminho certo
olham-me os outros de soslaio
a pensar na loucura adormecida
em que os três pássaros alados
se identificam com a vida
corro a ti meu corpo desamparado
entre o gesto largo e a imagem única
a que me apego e quase largo
para te sentir a ti outro
mais perto desta vida
Inez Andrade Paes
in Paredes Abertas ao Céu (p.p.64,65) 2010 - edição de autor

