quarta-feira, 10 de abril de 2013

 
 
Como esta criança, de certeza tantas outras se abrigam dentro das suas linhas imaginárias. Agora que a vida tornou-se numa correria e o tempo real é esquecido, estas crianças são o reflexo de um futuro próximo.
 
 
abandono
um deserto em cima da cabeça de uma menina
esquecida
na linha determinada em consciência
 
abandono
decidido e capaz
liberta             dos maus
liberta             de pena
na linha do âmago
em que o duro chão
é colo
só dela
 
Inez Andrade Paes

quinta-feira, 4 de abril de 2013


 
pássaros aguardam          fixam o olhar longe
 
o peixe surgirá
 
na claridade deixada
antes
 
da tempestade chegar
 
Inez Andrade Paes

sábado, 30 de março de 2013

 
 Aleluia!
 
Mãos para o céu, traz-nos novas através do movimento das nuvens.
Cá em baixo, entre cada sopro de vento, as flores de macieira voam até longe e embelezam o lugar mais ermo.
 
Aleluia!
 
Inez Andrade Paes

sexta-feira, 29 de março de 2013

Rolas-turcas novas


    Streptopelia decaocto

domingo, 24 de março de 2013



abelhas
mal tocam a parede daquela casa
 
alegres em sintonia
tentando poiso
mas logo vão ter com a flor
que ali perto se abre ao sol
 
gulosamente se esfregam arrumando o pólen
nas peludas e negras patas
que sujas
são
 
carregadas e amareladas
 
e
 voltam
                entram     
 
e

 desaparecem

 na parede daquela casa
 
 Inez Andrade Paes

sábado, 23 de março de 2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Amarelos

           Primeiros tons a chegar em "quantidade" com a Primavera.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulher


olhar eterno naquela janela
esconde a solidão do corpo

silhueta que o sol apresenta

numa das faces        tristeza plena
na outra
um fugaz sorriso
quando o passarinho passa e deixa
um olhar esquivo

tão preciso

o olhar eterno numa janela
esconde o silêncio do fundo da casa

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 1 de março de 2013

 

A Lista Final dos Candidatos apurados ao Prémio será divulgada
a 17 de Abril em, http://gloriadesantanna.wordpress.com
         
            http://gloriadesantanna.files.wordpress.com/2012/11/premioliterario-regulamento.pdf

sábado, 16 de fevereiro de 2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


POEMA a ti

Alba
solidão entre sereias
e algas
que em terra se abandonam

magoam tanto os meus pés descalços
entre as cortadas partes
que ao sol ficaram

inda percorro a terra molhada
orvalho sem dono
com o som do teu respirar vindo da toca

um homem velho
um homem belo

sinto-te aqui entre os meus afazeres
a subir a escada
com poeira cinza e heras enroladas

danças comigo de novo?


Inez Andrade Paes

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013



     uns Pavões.

     abrem os leques
     e abanam-se a eles próprios

      Inez Andrade Paes

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

- A todos que enfrentam problemas lutando pela preservação da Natureza -



sábado, 26 de janeiro de 2013


Ao Poeta Virgílio de Lemos que escreveu o primeiro verso, nome do seu livro editado em 2001



“Para fazer um mar”
devolvo-te as pedras que tinha guardadas
lavadas
agrupadas
arrumadas             e contadas
.
para juntas voltarem a estar
.
nas ondas que lavam
nas ondas que banham
tuas mãos cansadas
teus olhos aflitos
teu corpo ausente
.
sempre        serenamente
aguardo o vento morno que te traz

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Uma história para o Natal


Coríntia é uma menina que vende tecidos muito coloridos no bazar, cada vez que os sacode deixa cair no chão, histórias com muitas cores.


A manhã é de Sol quente.
Aproximou-se da menina um homem alto - porque todos os homens são altos para a menina que ainda é pequena - aproximou-se e pisou num bocado de tecido encarnado. A menina puxou o tecido e pediu que o homem tirasse os pés de cima das Cerejas, mas ele só ali via um tecido encarnado.

- Quero comprar este tecido - apontando para o tecido encarnado -.

- O das Cerejas? Pergunta a menina.

- Sim o vermelho.

- Não é vermelho, é mais forte, vermelho três vezes forma-se em encarnado e se ficarmos a conversar um pouco mais de certeza ficará pálido vermelho porque o sol alimenta-se das cores dos meus tecidos.

- É por isso que os abanas?

- É por isso e porque assim ao longe quem passa os vê.

- Quero então um metro de Cerejas.

- Porque não leva também um metro de Mangas?

- Não, para as mangas já me chega este metro.

- Não digo de vermelho, digo um pouco deste que é quase vermelho mas ainda é laranja de Manga.

- Menina! Vamos lá a perceber, afinal o que é que eu levo?

- Não sei, leva o que quiser, mas se quiser a minha opinião, fazia as mangas a Mangas e o corpo a Cerejas.

- Então dê-me lá um quilo de cada.

E assim a menina vende os seus tecidos e convence todos os compradores a sonhar.

Inez Andrade Paes

sábado, 15 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Santa Luzia na Catedral de Uppsala na Suécia

terça-feira, 11 de dezembro de 2012




quando a árvore se levanta e se espreguiça

dá banho à lagartixa
que atenta espera
cada gota que cai dela


Inez Andrade Paes