sábado, 9 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Não sei de quem é a imagem, não gostaria de a pôr aqui. Foi através dela, que escrevi o poema.
em penitência a um chão de cascalho quente
a criança desespera pela morte anunciada
a poucos passos a Mãe
a poucos passos a Mãe
que não o pôde ter em colo sempre magro
porque de tudo o que a manhã breve acende
as mãos dos outros homens
servem à guerra
servem ao dinheiro
servem à indiferença
servem à indiferença
o sofrimento é só deste menino
a Mãe reparte-se
e o homem ao fundo vê tudo
Inez Andrade Paes
sábado, 26 de maio de 2012
"em memória de tudo em que estás vivo"
não vi o velho homem que ali costuma estar a vender velas, dois pedaços de cera restavam ainda no fundo dos candeeiros, um de cada lado, e a abelha que ali sempre está quando vos visito
acendi os dois bocados de cera, a abelha pousou na pedra
uma luz para ti Mãe, outra luz para ti Pai
luzes trémulas ainda quando parti
limpei as folhas secas e as rosas soltas de pétalas
a abelha fez-me correr e dar uma gargalhada, veio atrás de mim e das rosas que levava
agora já não me custa ali ir, mesmo que daquele lugar nada seja vosso ser
a abelha guarda-vos
Inez Andrade Paes
segunda-feira, 14 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Florestas Moçambicanas
PLANTAI ÁRVORESPlantai árvores, camaradas
Sobre o solo nacional,
Fazei mais famoso ainda
Este lindo Moçambique
País que eu quisera ver
Fecundo, infinito
Grande, como foi outrora
Como pode ser ainda
Plantai árvores, camaradas
Enraizai-as no chão
O vosso esforço isolado
De pouco pode valer
Mas os poucos fazem muito
E amar a Pátria é dever
Não é patriota apenas
Quem, com armas na mão
Contra os agressores estranhos
A Pátria defende
NÃO!
Também é bom Revolucionário
O honrado trabalhador
Que o solo Pátrio amado
Fecunda com o seu suor
É patriota igualmente
Quem a terra fertiliza
Quem as plantas prende à terra
Quem à terra as enraíza.
A árvore amiga e boa
É do homem companheira
Dá-lhe sombra que refresca
A lenha, o fruto, a madeira.
Manuel Gondola in "Poesia de combate" LITERATURA NOVA
Publicações Nova Aurora - Lisboa,1974 pag,32
sexta-feira, 27 de abril de 2012
A luta económica pelo PROGRESSO
‘If you destroy the forest, you destroy us too.’
- Blade Awá -
http://www.survivalinternational.org/awa
quarta-feira, 25 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
Em memória da minha Bisavó Lavínia que tocava Cavalleria Rusticana de Mascagni
FLORES ABERTAS
lembras-te da tarde
em que estavas adormecido junto ao cedro
com pedras castanhas a cobrir-te os pés
essas flores amarelas que saíam aqui e ali
eram as alegrias que teus dedos faziam mexer
por baixo das agonias
que teu coração não quis transparecer
diz-me tens saudades daquele lugar?
onde as árvores cantam
e os pássaros param para ouvir
tudo ali é diferente porque de amor se quis
que naquele cedro perto da raiz nascessem pedras castanhas
todas brilhantes como se pintadas de verniz
ali jazem a tua e a minha mão
em forma de raiz para que delas nasça outro cedro
só
com flores amarelas abertas
é para ti
Inez Andrade Paes
quarta-feira, 21 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
À Fernanda Angius
Fica ela triste a correr atrás dele sem conseguir apanhá-lo, não consegue mais do que as flores que ela plantou antes de ele chegar. O Verão atira-as para trás com a brisa da corrida a fugir dela. A Primavera fica com o cabelo cheio de pétalas brancas e lilases e um rosa pálido aqui e ali.
Escapa-se ele no entardecer e passa pelo Inverno.
A rir fica ela, quando se olha na água do lago que ali se guarda entre as árvores e se vê decorada de grinaldas.
Recolhe-se no Bosque e adormece.
Acordará talvez no dia 21 de Março para chegar toda iluminada e de transparência só dela, se o Inverno não ficar amuado de ciúme.
Inez Andrade Paes
terça-feira, 6 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Um da família dos Turdus turdus

Hoje o dia é de Sol e o Melro - Turdus merula - o galã, já no píncaro da árvore desafia os outros machos para a chegada da Primavera.
É belo o negro deste pássaro, modificado em tons de prata quando o sol bate no corpo conforme a força do som que lhe sai da voz. Estica-se e dobra-se ficando em posição inicial de Tai chi chuan e em si como se em voz média se ausentasse da ideia de que ele é sim o Turdus deste espaço.
Reparem neles - pássaros - antes da chegada da Primavera.
Inez Andrade Paes
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Poema
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Um de Fevereiro
........... .......... ... ........Tirada em Pemba em 2003, cidade onde nascemos ..................- Hoje tive a notícia da morte de uma amiga -
a Águia engole o vento
de asas abertas
leva-te
para o altar daquela núvem
Berta
serena e bela Berta
senta-me ao pé de ti
quero pedir-te que leves
contigo Alfazema
desta que apanho no jardim
é Fevereiro
o frio aqui é de vidro
de transparência única
do lado de lá tu
como estivemos em Nampula
Inez Andrade Paes
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Bichos e Homens
Imagem da Encicolpédia Medieval Liber Floridus de Lambert of Saint-Omer
Um cão, um gato e um macaco.
O cão vivia em Portugal, o gato na Pérsia e o macaco na Indonésia.
Encontraram-se os três como amigos numa manifestação contra o abate dos animais para lhes tirar a pele. Os três mascarados de homem.
O cão vivia em Portugal, o gato na Pérsia e o macaco na Indonésia.
Encontraram-se os três como amigos numa manifestação contra o abate dos animais para lhes tirar a pele. Os três mascarados de homem.
Ele cão, um homem alto de tez morena e de fala grossa.
Ele gato, um homem ainda mais alto e esguio e de rosto quase pálido e enfraquecida vista, por isso de óculos, ovais, mostrando o brilho do metal quando o sol batia.
Ora o macaco, esse, um senhor gordo cheio de grandes avarias, saltos, arrebiques e de apito pendurado ao peito, se fosse preciso faria barulho ao mais pequeno deslize dos chamados democratas que tinham ganho as eleições naquele país da Europa. Estes tinham prometido mundos e fundos aos animais de pelo e até aos de pena, que estavam na lista dos próximos a ser contemplados com menor mortandade. Uma vez por mês falar-se-ia em abate.
Eram tantos os animais na praça.
Eram tantos animais na praça onde a manifestação começara, vestidos de homens para não serem vistos como de pelo ou de pena.
- Entra o político que iria dar voto ou veto à limpeza da pena ou do pêlo. -
Eram tantos animais na praça onde a manifestação começara, vestidos de homens para não serem vistos como de pelo ou de pena.
- Entra o político que iria dar voto ou veto à limpeza da pena ou do pêlo. -
O cão, o gato e o macaco estavam ali de pé ao pé da vaca. Senhora gorda e de chapéu de lado para tapar a peruca.
Todos os quatro atentos aos urros e berros do político sem nada a dizer a não ser:
- Estamos a fazer um grande esforço
- Estamos a preparar para levar ao parlamento
- Estamos a ver se
- Estamos
E estavam. Verdade que estavam todos, mas era muito gordos.
Entra na praça um tigre vestido de Monge Tibetano, exilado em Portugal por causa da anexação do Tibete pela China. A luz alaranjada das suas vestes virou os olhares para si.
Compreendia e via, os animais vestidos de homens que ali estavam e até lhes sorriu com largo abrir de boca em que os pequenos dentes eram pálidas pétalas de pequenina flor branca.
Pede a palavra levantando a mão.
Não se enganem mais, nem vós que estais no palanque nem vós que estais no terreno. A mortandade é um drama.
Hoje tu no palanque és homem, amanhã serás talvez vaca, ou minhoca ou caracol.
Tu que te esguias em corpo hoje de homem e afinal és cão poderás ser amanhã um guarda-rios ou uma árvore ou uma borboleta que só vive um dia. Só as pessoas de bem te conseguirão ver e admirar na mais fugaz passagem.
A Escolha é vossa.
Comam pena ou comam pêlo e que não vos fique o destino traçado, de costas.
- Estamos a preparar para levar ao parlamento
- Estamos a ver se
- Estamos
E estavam. Verdade que estavam todos, mas era muito gordos.
Entra na praça um tigre vestido de Monge Tibetano, exilado em Portugal por causa da anexação do Tibete pela China. A luz alaranjada das suas vestes virou os olhares para si.
Compreendia e via, os animais vestidos de homens que ali estavam e até lhes sorriu com largo abrir de boca em que os pequenos dentes eram pálidas pétalas de pequenina flor branca.
Pede a palavra levantando a mão.
Não se enganem mais, nem vós que estais no palanque nem vós que estais no terreno. A mortandade é um drama.
Hoje tu no palanque és homem, amanhã serás talvez vaca, ou minhoca ou caracol.
Tu que te esguias em corpo hoje de homem e afinal és cão poderás ser amanhã um guarda-rios ou uma árvore ou uma borboleta que só vive um dia. Só as pessoas de bem te conseguirão ver e admirar na mais fugaz passagem.
A Escolha é vossa.
Comam pena ou comam pêlo e que não vos fique o destino traçado, de costas.
Inez Andrade Paes
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