sexta-feira, 16 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
À Fernanda Angius
Fica ela triste a correr atrás dele sem conseguir apanhá-lo, não consegue mais do que as flores que ela plantou antes de ele chegar. O Verão atira-as para trás com a brisa da corrida a fugir dela. A Primavera fica com o cabelo cheio de pétalas brancas e lilases e um rosa pálido aqui e ali.
Escapa-se ele no entardecer e passa pelo Inverno.
A rir fica ela, quando se olha na água do lago que ali se guarda entre as árvores e se vê decorada de grinaldas.
Recolhe-se no Bosque e adormece.
Acordará talvez no dia 21 de Março para chegar toda iluminada e de transparência só dela, se o Inverno não ficar amuado de ciúme.
Inez Andrade Paes
terça-feira, 6 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Um da família dos Turdus turdus

Hoje o dia é de Sol e o Melro - Turdus merula - o galã, já no píncaro da árvore desafia os outros machos para a chegada da Primavera.
É belo o negro deste pássaro, modificado em tons de prata quando o sol bate no corpo conforme a força do som que lhe sai da voz. Estica-se e dobra-se ficando em posição inicial de Tai chi chuan e em si como se em voz média se ausentasse da ideia de que ele é sim o Turdus deste espaço.
Reparem neles - pássaros - antes da chegada da Primavera.
Inez Andrade Paes
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Poema
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Um de Fevereiro
........... .......... ... ........Tirada em Pemba em 2003, cidade onde nascemos ..................- Hoje tive a notícia da morte de uma amiga -
a Águia engole o vento
de asas abertas
leva-te
para o altar daquela núvem
Berta
serena e bela Berta
senta-me ao pé de ti
quero pedir-te que leves
contigo Alfazema
desta que apanho no jardim
é Fevereiro
o frio aqui é de vidro
de transparência única
do lado de lá tu
como estivemos em Nampula
Inez Andrade Paes
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Bichos e Homens
Imagem da Encicolpédia Medieval Liber Floridus de Lambert of Saint-Omer O cão vivia em Portugal, o gato na Pérsia e o macaco na Indonésia.
Encontraram-se os três como amigos numa manifestação contra o abate dos animais para lhes tirar a pele. Os três mascarados de homem.
Eram tantos animais na praça onde a manifestação começara, vestidos de homens para não serem vistos como de pelo ou de pena.
- Entra o político que iria dar voto ou veto à limpeza da pena ou do pêlo. -
- Estamos a preparar para levar ao parlamento
- Estamos a ver se
- Estamos
E estavam. Verdade que estavam todos, mas era muito gordos.
Entra na praça um tigre vestido de Monge Tibetano, exilado em Portugal por causa da anexação do Tibete pela China. A luz alaranjada das suas vestes virou os olhares para si.
Compreendia e via, os animais vestidos de homens que ali estavam e até lhes sorriu com largo abrir de boca em que os pequenos dentes eram pálidas pétalas de pequenina flor branca.
Pede a palavra levantando a mão.
Não se enganem mais, nem vós que estais no palanque nem vós que estais no terreno. A mortandade é um drama.
Hoje tu no palanque és homem, amanhã serás talvez vaca, ou minhoca ou caracol.
Tu que te esguias em corpo hoje de homem e afinal és cão poderás ser amanhã um guarda-rios ou uma árvore ou uma borboleta que só vive um dia. Só as pessoas de bem te conseguirão ver e admirar na mais fugaz passagem.
A Escolha é vossa.
Comam pena ou comam pêlo e que não vos fique o destino traçado, de costas.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Em memória de D.Naílde
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Essência de nuances
domingo, 27 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
UM DIA ASSIM
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
HOMENS orthos
.
chamo-lhes com nomes a todas as palavras
indiferentemente
se são esguias ou mais que magras
chamo-lhes com todas as letras
altas e baixas
de estrutura seca ou mesmo molhada
ainda a acabar mesmo no fim de cada uma
cedo-lhes os acentos de rebordos largos
para que neles se governem
entre os folhos ou os trapos
mas que se deitem todas
na mesma espuma branca
em que a massa
rebola depois de seca ...........com tinta se desenha
chamo-lhes com nomes a todas as palavras
leves aromáticas mesmo que maceradas
a deitar líquido fermente
de fermentação
chamo-lhes com nomes todas elas descalças
depois cada um se as quiser
que as calce e lhes molhe a aba
rebole com elas e se deixe estar
se vier alguém se misture ou largue
mas não me venham com coisas ............essas de estranhar
porque elas já cá estavam antes de chegar
com elas nos deitamos e com elas nos levantamos
sempre dentro da boca
esteja ela aberta ou fechada
chamo-lhes com nomes
e mais nada
Inez Andrade Paes in Da Estrada Vermelha
domingo, 16 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Todos os dias
2011 e a escravatura.
Quantas crianças estarão escondidas em mundos impossíveis.
menino
passa-te nas costas ......uma haste
apontada ao céu
de enxada em mãos tão pequenas
cavas a terra vermelha
quem te obriga meu menino
quem te obriga e passa por ti sem te ver
brincas e lamentas
com insectos
que aparecem no revolver do chão
de poeira
ficam
as cores fortes da Gala gala
e o azul que o Madindi traz do céu
quando vem beber as tuas gotas de suor
quem te obriga
menino
repousa agora
para a noite de esperança
mão generosa te pegue ......te leve embora
Inez Andrade Paes




