sexta-feira, 22 de abril de 2016

LIMITE




há um limite
na linha da consciência

uma rasura na parte que parte e se segura

uma consciência plena da tontura
exacta
onde a mancha desmancha e perdura
um golpe secundário
onde a queda se enrola e veste o gume
de areia escura

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 13 de abril de 2016

domingo, 27 de março de 2016

Monequinho



O sorriso e o amor de um menino de dois anos que do colo da Mãe lança um abraço ao que ele chama de “monequinho”

Vem esta Mãe todas as semanas pedir esmola aqui a casa. Da janela vi que trazia o menino ao colo e resolvi levar-lhe um boneco verde alface.
De dedinho apontado e de abraço preparado, disse:
- Um monequinho!  (Um abraço enorme entre ele e o boneco)

- Para que este "monequinho" existisse andei a juntar “pontos” para uns tantos "vales desconto" de compras, (porque agora as empresas de Portugal andam a "pontos" e a "vales" ) e nós cheios de papelada na carteira com datas e prazos para completar para conseguir assim "monequinhos" -
Valeu a canseira.

Vivam os sorrisos lindos e todos os “monequinhos” que os façam sorrir.

Inez Andrade Paes

domingo, 13 de março de 2016

Folar de ovos


de folar em folar

a Páscoa

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Flaventia a flor


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016



CHOPIN

mesmo ao pé do veio
uma brisa
na árvore que se mantém direita
 
a seiva cresce como uma flor         que seca
formada de dor
do interior
mais novo
da árvore
 
o sol toca-a
e em anéis de luz

o amor

Inez Andrade Paes

sábado, 19 de dezembro de 2015

Dança


esguias    mãos
segredam aos ventos        movimento

escorrem rios
até
pequenos baixios

enterram macias areias
e
soltam com elas

perfis esguios
 
acesa energia
gutural metade
do corpo parado
no movimento intacto

Inez Andrade Paes in Da Estrada Vermelha, 2015, p 61

domingo, 22 de novembro de 2015

ténue luz


    A fotografia é para, Anouar Brahem

    https://www.youtube.com/watch?v=SavP_Oz1X4k

quarta-feira, 4 de novembro de 2015


POEMA 20

quando a garganta seca
na palavra áspera
dita com certeza
por um momento claro

envolvo o corpo em concha
e medito
no espaço
entre a palavra dita
e a ferida aberta

com a garganta seca
e a boca fechada

Inez Andrade Paes in Paredes Abertas ao Céu, p.67 - 2010 edição de autor