sábado, 25 de abril de 2015

O vento sopra em Abril


MOENDA

ai, liberdade
que moras perto daquele
moinho
em que a água corre e te bate
em força de te levantar as espátulas
que libertam as pedras das mós

ai, liberdade que o vento  traz até aqui
a este moinho pequeno
mas cheio de labor

andadeira liberta

seu dono sai a sorrir e todo branco de pó

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 22 de abril de 2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

 
V.12.12
 
limpo
diluído
quase translúcido
de passo lento
sem barulho
 
limpo
de grande tamanho
ainda translúcido
aquele pássaro todo branco
que sai da água
e carrega nos ombros a superfície
 
Inez Andrade Paes in Da Eterna Vontade (p.12), colecção Contramaré - Labirinto 2015
                                                   

quinta-feira, 19 de março de 2015

BORBOLETA




na natureza  juntamos as nossas almas
libertas
um pó que exalo

transparente    dourado
 
onde pousaste

em minha mão       me calo
com o poderoso brilho de tua asa

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 13 de março de 2015

Cintilações na Sombra III

 
 
Cintilações na Sombra III, organizada por Victor Oliveira Mateus. Capa - Daniel Gonçalves. Editora Labirinto
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A luz que da capa vem
a sombra que a capa esconde
a folha branca que deixa ver

reúnem
palavras e Poetas
 
Inez Andrade Paes
 
 

sábado, 28 de fevereiro de 2015




chegam pássaros

as marés agitam-se
com algas à superfície

sentem-se os riscos dos bicos e das algas ao comprido

porque tudo à deriva

chegam portos ao longe
e os pássaros sentam-se e descansam
com as algas ao pescoço

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015


Design & Communication


de caracóis largos e negros
passeava a menina pela casa
olhava o chão que a encantava

não pelo espaço
mas pelo passo

que de pequeno alargava
com o sapato que calçava

Inez Andrade Paes

domingo, 1 de fevereiro de 2015

sábado, 31 de janeiro de 2015

1971


Cantar de Emigração - Adriano Correia de Oliveira



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ÀS ESCADARIAS DE PEMBA


esse passo lento com que sobes as escadas
em cada passo
no que de curto o olhar é pensamento
distante  raro mas de beleza constante
em que a particularidade do sonho
é desembainhado
quando o moscardo passa

no calor da subida em que cada degrau é um fardo
em cada passo uma memória
e a mulher na descida faz chegar ao rosto suado
vento breve mas certeiro

de que pedras raras são
esses degraus largos e compridos
de que pedras raras são

olha para trás
vê a buganvília
ainda te recebe na descida

Inez Andrade Paes in Da Estrada Vermelha - p.43, 2015