quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

 
      A Nadir Afonso



sinto

sinto a lança do silêncio
reflecte-se no golpe aceso

sinto-te dor
sempre que o braço percorre o movimento
e lança sobre o arco a tensão necessária
para a alma

Erbarme dich, mein Gott
 
Inez Andrade Paes
 
 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Levou consigo, aqueles olhos azuis de amor

 

o mesmo azul dos teus olhos transparece na água cálida
em que teu corpo surge

profundo pensamento levanta-se em todo esplendor
de profundo pensador

da tua mão agarrei em paterna dor
ausência liberta
mesmo aquela
cálida          serena        dor
em que sentem Poetas
quando a morte aperta
a garganta
os cala
na mais translúcida água a que pertences

levo-te flores que deposito na margem
as vagas         tranquilas vagas         tocam
no teu olhar azul
todas as pétalas que quis para ti são meu abraço Virgilius

Inez Andrade Paes, em memória de Virgílio de Lemos - 6 de Dezembro 2013


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

        Handel, Messiah Overture for Mandela

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Julia Lezhneva tão perto de Yma Sumac

Yma Sumac
                                                               



domingo, 24 de novembro de 2013

Johannes Brahms


Allegro non tropo
Allegro appassionato
Andante
Allegretto grazioso


terça-feira, 19 de novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


NÃO QUEREMOS QUE DESTRUAM A NOSSA FAUNA
NÃO QUEREMOS QUE DESTRUAM A NOSSA FLORA


sábado, 26 de outubro de 2013

             
 
Até ao mais longe.
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013


Gaston Lacombe Visual Stories


A pena aplicada sem causa nenhuma.
A vergonha da curiosidade humana.
A verdadeira ignorância atrevida.
O abandono de vidas.
Nunca comparando.
É a prisão de animais em prol do prazer humano.
Não sou a favor de zoos
Não sou a favor de zoos marinhos
Não sou a favor de qualquer espectáculo com animais.

Inez Andrade Paes

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

                                                                                                                                                                       Foto IAP
 luz de sangue
nas nervuras         a saliente pena
 
submete-se o silêncio
 
Inez Andrade Paes

sábado, 21 de setembro de 2013


Pego em tuas mãos, com linhas tão claras e definidas e tão à flor da pele, e tão à flor de todos os nossos sorrisos e de todos os nossos vícios que é a vida, de ser nascido numa África que hoje se senta ao colo de todos os poderosos, mas que na sua social essência, é tão pobre como as mãos dos que nos abraçam e são amigos. Mas esta pobreza está só nas mãos vazias de ambição. Porque Moçambicano que se preze não tem ambição, porque nasceu num chão onde a plenitude está.

Tuas palavras, querido Poeta, são lanças de flores e água que os pássaros vêm buscar e levam para o Mar.

Não seria esse Mar tão nosso conhecido e onde a Glória repousa ainda e se modifica na textura lírica que se perdura nela e em todos nós? Não seria esse Mar tão teu, como os que te amortalham e te seguem, lambendo as hastes modestas que te crescem como asas mas que não te deixam voar porque aqui sentes, meu querido Poeta, aqui no nosso chão de onde as nossas Mães secretamente nos velam. Aqui estão as mãos dos pretos que nos criaram e nos abraçaram e nos amaram sempre sem a lei dos que não sentem, sem a lei dos que pensam saber que com frases feitas só as margens da folha nos são dadas para a escrita.

Mas tu sabes Poeta, querido Poeta, nós temos o papel todo, até aquele que nos serviu de exemplo através das mãos dos outros Poetas que estiveram presos e nos passaram um testemunho exacto da segurança que é necessariamente humana.

Liberto estas palavras secas, em memória de todos os nossos Queridos Poetas Mortos e levanto-me contigo na mesma luta que continua, pelo mais fraco e pelo que enobrece e dá o corpo na frente da batalha que ainda não está ganha e que não pode ser exemplo dos que estão em frente e desassossegam um Povo que já deve estar livre de todas as amarras que estão gravadas e evidenciadas na história que outros ainda se vangloriam e não dão exemplo de nada.

Levanto-me contigo em toda a Nobreza que tem sido a tua Palavra e dignifico a causa de uma luta saturada, aberta e com a urgência de ficar cicatrizada.

Ao Povo Moçambicano e a todos que da escrita dão voz àqueles que não conseguem com a escrita dignificar a Vida.

Inez Andrade Paes, em resposta ao Poeta Eduardo White – 17 de Setembro de 2013