terça-feira, 27 de agosto de 2013



O sol vai alto, a noite chegará com a certeza de que estes pássaros continuem a existir mal o homem se esqueça deles.
Estas jóias devem continuar perdidas no meio da floresta.
Que a bruma as conserve como conserva as árvores com a humidade que as alimenta.
 
Inez Andrade Paes

quarta-feira, 21 de agosto de 2013




separadamente
uma aqui           outra ali
duas árvores mortas
em pé
com o tronco esburacado     com a ajuda de um pássaro
 
no chão corre uma planta que se ergue na árvore morta
e nos restos dos braços da árvore
a planta iça as suas hastes longas
e tenta chegar à outra
dança
balança
e cresce    e quase   se lança

o vento sopra e a haste enrola-se
no galho mais fino que sobra na ponta daquele ramo
 
agora a planta veste a saia que aperta
à outra árvore que ali se mantém
 
duas árvores mortas
ali à espera do pica-pau que as livre das larvas
e lhes borde o tronco com rendas ocas que decoram a saia
 
Inez Andrade Paes

sábado, 17 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A QUALQUER UM COM OLHOS ASSIM

 
teus olhos verdes
guardam jóias
que só brilham quando o sol lhes bate
 
assim sorria ela com seus olhos verdes
e se eu olhava     ela olhava para os sapatos
pretos                  daqueles duros de verniz

teus olhos verdes
guardam todos os segredos que eu não quis
e apertei no peito
até quase sem ar e sem respeito atirar-tos ao peito
como alfinete decorado de rubis
 
teus olhos verdes fecham-se quando sorris
e o brilho da madrugada nessas jóias lembra-me que hoje
a tua gargalhada ecoa perto de mim

atira-me essas jóias em lágrimas
guardá-las-ei no jardim perto daquele ninho de chapim

Inez Andrade Paes

quinta-feira, 1 de agosto de 2013



Arte de AUNG KYAW HTET
Trabalho muito bom, com a sombra e a luz na cor.

quarta-feira, 31 de julho de 2013



Dos jardins Reais para Concerto
Aranjuez
sons de folclórico  violão alegram  gangos de Verão

quarta-feira, 24 de julho de 2013

 
Cada gota é motivo de ânimo. A translúcida mosca também ela, quer ser gota.
Iris reticulata a flor.

         :::::::::::

Íris tem asas de ouro
voa no vento
e aos homens traz
mensagens           
 
Inez Andrade Paes

sábado, 20 de julho de 2013


sabes      das mãos
tenho lembranças        um toque mudo          

na escrita
tenho-te
em lembrança               aflita
 
o amor em nós perdura
alguém te ampare à chegada
  
( Sol
 ilumina o caminho cor-de-rosa de Mayra )
 
 
 18 de Julho de 2013
 Inez Andrade Paes

sábado, 13 de julho de 2013

Som e sangue e a passividade do Amor



um vulto arrasta o ar    violentamente ferido
de morte tomba

numa emboscada

barridos cortam estalos de cigarras na imensidão agreste;

ferido de morte
em poça de sangue
fica

outros barridos numa retirada descontrolada
correm
para que lado

há morte

o homem está em guerra
contratada
armas poderosas estudadas ao milímetro
para um tiro
 
de morte
está
com lágrimas grossas a cortar poeira
olhos grandes
como pedras de negro vidro brilhante

o homem está em guerra
arrasa
floresta  e arbusto cerrado

a matriarca foi morta
emboscada
preparada

descontrolada a manada
corta o mato parado     seco  
sós
e a sombra dos seus corpos

o homem está em guerra
na poça de sangue
plantas encarnadas       trazem à memória
 
um dia alguém deu ordem
 
Matar Elefante
                          
Inez Andrade Paes

 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O acordo do desacordo.

Quando acordamos no sentido das palavras, muitas vezes já somos adultos.

Mas há palavras que nos tocam desde muito pequenos - o caso da palavra espectador - de que somos parte, em casa, na escola, a brincar e até quem teve oportunidade de ir ver um espectáculo.

Somos Espectadores.
 
A palavra Espectadores, que li num panfleto publicitário de uma Câmara Municipal como “Espetadores”.  

Agora mandam-nos escrever assim, ”Espetadores

No panfleto:   “Estavam lá 50 mil espetadores”.
Pergunto, espetadores de quê?  O que é que 50 mil, espetavam?

 
- Um Espectro de Luz, senhores –

Inez Andrade Paes

sábado, 29 de junho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013



 

laboriosamente enrolam-se
chagas e outras plantas

do escuro do chão avançam
com tons de sol  e cheiro amargo     elas

as outras
pálidos verdes atados            
já sem estrutura
tombados
secos
miseravelmente à espera de um engaço que os arranque
e deixe de novo a raiz atenta
a nova chuvada
que o vice
e se alargue a planta
 
Inez Andrade Paes