um vulto arrasta o ar violentamente ferido
de morte tomba
numa emboscada
barridos cortam estalos de cigarras na imensidão agreste;
ferido de morte
em poça de sanguefica
outros barridos numa retirada descontrolada
corrempara que lado
há morte
o homem está em guerra
contratadaarmas poderosas estudadas ao milímetro
para um tiro
de morte
está
com lágrimas grossas a cortar poeira
olhos grandes
como pedras de negro vidro brilhante
o homem está em guerra
arrasafloresta e arbusto cerrado
a matriarca foi morta
emboscadapreparada
descontrolada a manada
corta o mato parado
seco sós
e a sombra dos seus corpos
o homem está em guerra
na poça de sangueplantas encarnadas trazem à memória
um dia alguém deu ordem
Matar Elefante
Inez Andrade Paes



