sábado, 13 de julho de 2013

Som e sangue e a passividade do Amor



um vulto arrasta o ar    violentamente ferido
de morte tomba

numa emboscada

barridos cortam estalos de cigarras na imensidão agreste;

ferido de morte
em poça de sangue
fica

outros barridos numa retirada descontrolada
correm
para que lado

há morte

o homem está em guerra
contratada
armas poderosas estudadas ao milímetro
para um tiro
 
de morte
está
com lágrimas grossas a cortar poeira
olhos grandes
como pedras de negro vidro brilhante

o homem está em guerra
arrasa
floresta  e arbusto cerrado

a matriarca foi morta
emboscada
preparada

descontrolada a manada
corta o mato parado     seco  
sós
e a sombra dos seus corpos

o homem está em guerra
na poça de sangue
plantas encarnadas       trazem à memória
 
um dia alguém deu ordem
 
Matar Elefante
                          
Inez Andrade Paes

 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O acordo do desacordo.

Quando acordamos no sentido das palavras, muitas vezes já somos adultos.

Mas há palavras que nos tocam desde muito pequenos - o caso da palavra espectador - de que somos parte, em casa, na escola, a brincar e até quem teve oportunidade de ir ver um espectáculo.

Somos Espectadores.
 
A palavra Espectadores, que li num panfleto publicitário de uma Câmara Municipal como “Espetadores”.  

Agora mandam-nos escrever assim, ”Espetadores

No panfleto:   “Estavam lá 50 mil espetadores”.
Pergunto, espetadores de quê?  O que é que 50 mil, espetavam?

 
- Um Espectro de Luz, senhores –

Inez Andrade Paes

sábado, 29 de junho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013



 

laboriosamente enrolam-se
chagas e outras plantas

do escuro do chão avançam
com tons de sol  e cheiro amargo     elas

as outras
pálidos verdes atados            
já sem estrutura
tombados
secos
miseravelmente à espera de um engaço que os arranque
e deixe de novo a raiz atenta
a nova chuvada
que o vice
e se alargue a planta
 
Inez Andrade Paes

sábado, 22 de junho de 2013

O que em nós é amor



                                                                                                                      Inez Andrade Paes

quinta-feira, 20 de junho de 2013

 
 
 
silêncio da manhã
cristalino lavado pelo cacimbo da noite
 
chorou mágoas de poetas acordados
 
silêncio cansado da noite
ressoa do pensamento
junta-se ao cacimbo e lava         transforma
 
gosto da vida na inquietude de mim
quando me preparo para sair do que é lógico
 
Inez Andrade Paes

sábado, 15 de junho de 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013


“Adeus.
  Agora vou deixar-te poesia
  que termina o dia
  e a noite começa”

 
Poema de Eduardo White,
deixado na campa de Glória de Sant’Anna, com um vaso de crisântemos.

 

 
 
o olhar ficou
as lágrimas ainda
 
são gladíolos    e crisântemos          
deixados na pedra branca
            
chuva contínua       pequenina
 
roxos gladíolos 
abraçaram os crisântemos       mancharam o papel e a tinta
 
Inez Andrade Paes

segunda-feira, 3 de junho de 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013


é infinito olhar

em todo o silêncio

denso
às vezes
                escuro
às vezes pleno
                de claridade exacta

olhar em todo o silêncio
de cílios decorados por gotas pequenas

tanto silêncio em volta de mim

respiro
aprofunda-se a dor no grave e agudo do barulho
e o silêncio

enfim

 Inez Andrade Paes

quarta-feira, 15 de maio de 2013

                                                                             Poeta, Eduardo White / foto de Bruno Mikahil

Vencedor  do  Prémio  Literário  Gloria  de  Sant’Anna - 2013
        
 
Nada,
Nem sequer um limpo pranto,
Um olhar branco, uma agonia.
 
Nada.
A tudo é imune, o faquir,
Até ao sal, disso, indiferente.
 
Ele, o rosto e o corpo,
Nitidamente permanecem
indeformáveis e intactos.”
Eduardo White In O Poeta Diarista e os Ascetas Desiluminados - ALCANCE EDITORES – Moçambique

 
Júri
Fernanda Angius – Estudiosa de Literatura Moçambicana
Teresa Roza D’Oliveira – Artista Plástica
Eugénio Lisboa – Ensaísta e Crítico Literário
Victor Oliveira Mateus – Escritor
Américo Matos – Director do Jornal de Válega

 
 

domingo, 5 de maio de 2013

Para a serenidade XV


belo lugar              

duas pessoas amam-se

no Crepúsculo

sabendo que a morte se aproxima