sábado, 29 de junho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013



 

laboriosamente enrolam-se
chagas e outras plantas

do escuro do chão avançam
com tons de sol  e cheiro amargo     elas

as outras
pálidos verdes atados            
já sem estrutura
tombados
secos
miseravelmente à espera de um engaço que os arranque
e deixe de novo a raiz atenta
a nova chuvada
que o vice
e se alargue a planta
 
Inez Andrade Paes

sábado, 22 de junho de 2013

O que em nós é amor



                                                                                                                      Inez Andrade Paes

quinta-feira, 20 de junho de 2013

 
 
 
silêncio da manhã
cristalino lavado pelo cacimbo da noite
 
chorou mágoas de poetas acordados
 
silêncio cansado da noite
ressoa do pensamento
junta-se ao cacimbo e lava         transforma
 
gosto da vida na inquietude de mim
quando me preparo para sair do que é lógico
 
Inez Andrade Paes

sábado, 15 de junho de 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013


“Adeus.
  Agora vou deixar-te poesia
  que termina o dia
  e a noite começa”

 
Poema de Eduardo White,
deixado na campa de Glória de Sant’Anna, com um vaso de crisântemos.

 

 
 
o olhar ficou
as lágrimas ainda
 
são gladíolos    e crisântemos          
deixados na pedra branca
            
chuva contínua       pequenina
 
roxos gladíolos 
abraçaram os crisântemos       mancharam o papel e a tinta
 
Inez Andrade Paes

segunda-feira, 3 de junho de 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013


é infinito olhar

em todo o silêncio

denso
às vezes
                escuro
às vezes pleno
                de claridade exacta

olhar em todo o silêncio
de cílios decorados por gotas pequenas

tanto silêncio em volta de mim

respiro
aprofunda-se a dor no grave e agudo do barulho
e o silêncio

enfim

 Inez Andrade Paes

quarta-feira, 15 de maio de 2013

                                                                             Poeta, Eduardo White / foto de Bruno Mikahil

Vencedor  do  Prémio  Literário  Gloria  de  Sant’Anna - 2013
        
 
Nada,
Nem sequer um limpo pranto,
Um olhar branco, uma agonia.
 
Nada.
A tudo é imune, o faquir,
Até ao sal, disso, indiferente.
 
Ele, o rosto e o corpo,
Nitidamente permanecem
indeformáveis e intactos.”
Eduardo White In O Poeta Diarista e os Ascetas Desiluminados - ALCANCE EDITORES – Moçambique

 
Júri
Fernanda Angius – Estudiosa de Literatura Moçambicana
Teresa Roza D’Oliveira – Artista Plástica
Eugénio Lisboa – Ensaísta e Crítico Literário
Victor Oliveira Mateus – Escritor
Américo Matos – Director do Jornal de Válega

 
 

domingo, 5 de maio de 2013

Para a serenidade XV


belo lugar              

duas pessoas amam-se

no Crepúsculo

sabendo que a morte se aproxima


 

quinta-feira, 25 de abril de 2013


Iludes pétala rubra
no verde do mato

o centro do teu olho       canta

desnuda o pensamento

a quem te descubra.

 Inez Andrade Paes

quarta-feira, 10 de abril de 2013

 
 
Como esta criança, de certeza tantas outras se abrigam dentro das suas linhas imaginárias. Agora que a vida tornou-se numa correria e o tempo real é esquecido, estas crianças são o reflexo de um futuro próximo.
 
 
abandono
um deserto em cima da cabeça de uma menina
esquecida
na linha determinada em consciência
 
abandono
decidido e capaz
liberta             dos maus
liberta             de pena
na linha do âmago
em que o duro chão
é colo
só dela
 
Inez Andrade Paes