sábado, 26 de janeiro de 2013
Ao Poeta Virgílio de Lemos que escreveu o primeiro verso, nome do seu livro editado em 2001
“Para fazer um mar”
devolvo-te as pedras que tinha guardadas
lavadas
agrupadas
arrumadas e contadas
.
para juntas voltarem a estar
.
nas ondas que lavam
nas ondas que banham
tuas mãos cansadas
teus olhos aflitos
teu corpo ausente
.
sempre serenamente
aguardo o vento morno que te traz
Inez Andrade Paes
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Uma história para o Natal
A manhã é de Sol quente.
Aproximou-se da menina um homem alto - porque todos os homens são altos para a menina que ainda é pequena - aproximou-se e pisou num bocado de tecido encarnado. A menina puxou o tecido e pediu que o homem tirasse os pés de cima das Cerejas, mas ele só ali via um tecido encarnado.
- Quero comprar este tecido - apontando para o tecido encarnado -.
- O das Cerejas? Pergunta a menina.
- Sim o vermelho.
- Não é vermelho, é mais forte, vermelho três vezes forma-se em encarnado e se ficarmos a conversar um pouco mais de certeza ficará pálido vermelho porque o sol alimenta-se das cores dos meus tecidos.
- É por isso que os abanas?
- É por isso e porque assim ao longe quem passa os vê.
- Quero então um metro de Cerejas.
- Porque não leva também um metro de Mangas?
- Não, para as mangas já me chega este metro.
- Não digo de vermelho, digo um pouco deste que é quase vermelho mas ainda é laranja de Manga.
- Menina! Vamos lá a perceber, afinal o que é que eu levo?
- Não sei, leva o que quiser, mas se quiser a minha opinião, fazia as mangas a Mangas e o corpo a Cerejas.
- Então dê-me lá um quilo de cada.
E assim a menina vende os seus tecidos e convence todos os compradores a sonhar.
Inez Andrade Paes
sábado, 15 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
sábado, 24 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Poema
dói-me a marca do golpe
que o vento deu ao ramo
que me bateu
foi rabanada bárbara
sem arma sem cordel ou chicote
de mão tapada
foi vento forte
em pausa breve
de manhã
quando a luz ainda acorda
foi vento agreste
levado e empurrado
pelo Deus zangado
insomne pelas iras da noite
fui eu
que a levei
marca-me a ira
sem a culpa que reclamo
seja imputada
na altura em que o vento
ainda vinha ao longe
e bateu no ramo
saber que o ramo
se deixou pousado
sem levantar as folhas
para que uma delas me avisasse
penso agora
porque será que o vento
não nos abraçou simplesmente
e se deixou desfazer
com a ternura da árvore
e deitou a cabeça no meu regaço?
lentamente cicatriza a ira
a culpa?
ninguém a tem
quando o ciúme impera ainda
imune de qualquer nome
Inez Andrade Paes
sábado, 27 de outubro de 2012
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