sexta-feira, 20 de julho de 2012
SOFÁ CAMA NÃO!
Prefiro o chão.
Dos vários sofás que se abrem em cama, não sei como os constroem, mas os corpos encontram-se no meio - se de dois corpos falamos - enterrados na fundura do meio do colchão, cara contra cara e a pensar que o CO2 do outro nos vai dificultar a oxigenação do cérebro, ou nariz achatado nas costas do outro e de boca aberta.
Se de um corpo se trata - falo do meu - afundo se virada para a direita, narina direita completamente fechada, olho fechado sem aquela ligeireza de pálpebra semicerrada da noite, e o fígado sente-se.
Viro para a esquerda afundo também, desta vez a narina esquerda, a pulsação ouve-se de tal maneira que parece que vou explodir.
De barriga para cima, não respiro pela compressão dos pulmões e os ombros quase se tocam na frente do peito.
De barriga para baixo, nem pensar, é suicídio voluntário.
Para me levantar da fundura esponjosa, tomo balanço com força para me desenterrar e respiro fundo e sofregamente como se me estivesse quase a afogar.
Uma luta.
Sofás cama não. Prefiro o chão.
Mesmo que o rendado da esteira me fique marcado no corpo e a perna coxeie o dia todo de dor ciática e me vanglorie de que passo a noite toda a fazer yoga.
Sofá?
Só de três lugares e uma mantinha por cima, se a noite for fria.
Inez Andrade Paes
domingo, 8 de julho de 2012
..assim pelos mais fracos
a repreensão amarra os braços e as pernas
a tristeza cai na consciência e submete o corpo à ordem
Inez Andrade Paes
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Verdes Prados
a natureza corta o sopro
na imensidão do pequeno ser
entre cores
entre amor
sacia bestas e protege-as
porque de castigo o são
libertas
entre espinhos e flores
feridas a descoberto
envolve de paz
a crisálida
que aberta
liberta
mais um belo ser
traz entre as asas um pó que de ouro é
no mais ténue tom
liberto
entre puro alvo
e sombra profunda
Inez Andrade Paes
sábado, 9 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Não sei de quem é a imagem, não gostaria de a pôr aqui. Foi através dela, que escrevi o poema.
em penitência a um chão de cascalho quente
a criança desespera pela morte anunciada
a poucos passos a Mãe
a poucos passos a Mãe
que não o pôde ter em colo sempre magro
porque de tudo o que a manhã breve acende
as mãos dos outros homens
servem à guerra
servem ao dinheiro
servem à indiferença
servem à indiferença
o sofrimento é só deste menino
a Mãe reparte-se
e o homem ao fundo vê tudo
Inez Andrade Paes
sábado, 26 de maio de 2012
"em memória de tudo em que estás vivo"
não vi o velho homem que ali costuma estar a vender velas, dois pedaços de cera restavam ainda no fundo dos candeeiros, um de cada lado, e a abelha que ali sempre está quando vos visito
acendi os dois bocados de cera, a abelha pousou na pedra
uma luz para ti Mãe, outra luz para ti Pai
luzes trémulas ainda quando parti
limpei as folhas secas e as rosas soltas de pétalas
a abelha fez-me correr e dar uma gargalhada, veio atrás de mim e das rosas que levava
agora já não me custa ali ir, mesmo que daquele lugar nada seja vosso ser
a abelha guarda-vos
Inez Andrade Paes
segunda-feira, 14 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Florestas Moçambicanas
PLANTAI ÁRVORESPlantai árvores, camaradas
Sobre o solo nacional,
Fazei mais famoso ainda
Este lindo Moçambique
País que eu quisera ver
Fecundo, infinito
Grande, como foi outrora
Como pode ser ainda
Plantai árvores, camaradas
Enraizai-as no chão
O vosso esforço isolado
De pouco pode valer
Mas os poucos fazem muito
E amar a Pátria é dever
Não é patriota apenas
Quem, com armas na mão
Contra os agressores estranhos
A Pátria defende
NÃO!
Também é bom Revolucionário
O honrado trabalhador
Que o solo Pátrio amado
Fecunda com o seu suor
É patriota igualmente
Quem a terra fertiliza
Quem as plantas prende à terra
Quem à terra as enraíza.
A árvore amiga e boa
É do homem companheira
Dá-lhe sombra que refresca
A lenha, o fruto, a madeira.
Manuel Gondola in "Poesia de combate" LITERATURA NOVA
Publicações Nova Aurora - Lisboa,1974 pag,32
sexta-feira, 27 de abril de 2012
A luta económica pelo PROGRESSO
‘If you destroy the forest, you destroy us too.’
- Blade Awá -
http://www.survivalinternational.org/awa
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)



