sexta-feira, 1 de junho de 2012

Não sei de quem é a imagem, não gostaria de a pôr aqui.   Foi através dela, que escrevi o poema.



em penitência a um chão de cascalho quente
a criança desespera pela morte anunciada
a poucos passos        a Mãe
que não o pôde ter em colo       sempre magro

porque de tudo o que a manhã breve acende

as mãos dos outros homens
servem à guerra
servem ao dinheiro
servem à indiferença

o sofrimento é só deste menino

a Mãe reparte-se
e o homem ao fundo vê tudo

Inez Andrade Paes

                                                                                                                                                            

sábado, 26 de maio de 2012


                           "em memória de tudo em que estás vivo"


não vi o velho homem que ali costuma estar a vender velas, dois pedaços de cera restavam ainda no fundo dos candeeiros, um de cada lado, e a abelha que ali sempre está quando vos visito


acendi os dois bocados de cera, a abelha pousou na pedra

uma luz para ti Mãe, outra luz para ti Pai


luzes trémulas ainda quando parti

limpei as folhas secas e as rosas soltas de pétalas

a abelha fez-me correr e dar uma gargalhada, veio atrás de mim e das rosas que levava


agora já não me custa ali ir, mesmo que daquele lugar nada seja vosso ser

a abelha guarda-vos

Inez Andrade Paes



segunda-feira, 14 de maio de 2012




ainda na enseada menos brava

as escarpas
os gritos são teus e das aves de asas largas
a liberdade cresce como o vento que te sopra e larga
são ângulos de preparação e partida
acesas as luzes das estrelas
dorme agora repousa ainda
porque das tuas mãos a música

Inez Andrade Paes


terça-feira, 8 de maio de 2012

Florestas Moçambicanas

PLANTAI ÁRVORES

Plantai árvores, camaradas
Sobre o solo nacional,
Fazei mais famoso ainda
Este lindo Moçambique
País que eu quisera ver
Fecundo, infinito
Grande, como foi outrora
Como pode ser ainda

Plantai árvores, camaradas
Enraizai-as no chão
O vosso esforço isolado
De pouco pode valer
Mas os poucos fazem muito
E amar a Pátria é dever

Não é patriota apenas
Quem, com armas na mão
Contra os agressores estranhos
A Pátria defende
NÃO!
Também é bom Revolucionário
O honrado trabalhador
Que o solo Pátrio amado
Fecunda com o seu suor

É patriota igualmente
Quem a terra fertiliza
Quem as plantas prende à terra
Quem à terra as enraíza.

A árvore amiga e boa
É do homem companheira
Dá-lhe sombra que refresca
A lenha, o fruto, a madeira.

Manuel Gondola in "Poesia de combate" LITERATURA NOVA
Publicações Nova Aurora - Lisboa,1974 pag,32

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A luta económica pelo PROGRESSO



‘If you destroy the forest, you destroy us too.’

- Blade Awá -




http://www.survivalinternational.org/awa

quarta-feira, 25 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

a ferrugem quase liberta
das tuas pétalas
provoca o olhar
para o velho rosa
aberto ainda agora

apontas a fina penugem
que na capa de cada face
te aveluda
e a deixas tombada
como folha caduca

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 6 de abril de 2012

sábado, 31 de março de 2012



Em memória da minha Bisavó Lavínia que tocava Cavalleria Rusticana de Mascagni


FLORES ABERTAS

lembras-te da tarde
em que estavas adormecido junto ao cedro
com pedras castanhas a cobrir-te os pés
essas flores amarelas que saíam aqui e ali
eram as alegrias que teus dedos faziam mexer
por baixo das agonias
que teu coração não quis transparecer

diz-me tens saudades daquele lugar?
onde as árvores cantam
e os pássaros param para ouvir
tudo ali é diferente porque de amor se quis
que naquele cedro perto da raiz nascessem pedras castanhas
todas brilhantes como se pintadas de verniz

ali jazem a tua e a minha mão
em forma de raiz para que delas nasça outro cedro

com flores amarelas abertas

é para ti

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 21 de março de 2012

poemas
como águas que passam
trazem transparência ou seguem baças
se as barramos
tocam-nos como facas
se as empurramos deitam-se connosco a ver

para onde vamos?
são palavras
merecemos estas
todas
ou então não
as juntamos


Inez Andrade Paes

sexta-feira, 16 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

À Fernanda Angius

Um dia mais que lindo em que o Verão se antecipa à Primavera e a acorda.
Fica ela triste a correr atrás dele sem conseguir apanhá-lo, não consegue mais do que as flores que ela plantou antes de ele chegar. O Verão atira-as para trás com a brisa da corrida a fugir dela. A Primavera fica com o cabelo cheio de pétalas brancas e lilases e um rosa pálido aqui e ali.
Escapa-se ele no entardecer e passa pelo Inverno.
A rir fica ela, quando se olha na água do lago que ali se guarda entre as árvores e se vê decorada de grinaldas.
Recolhe-se no Bosque e adormece.

Acordará talvez no dia 21 de Março para chegar toda iluminada e de transparência só dela, se o Inverno não ficar amuado de ciúme.

Inez Andrade Paes