terça-feira, 29 de novembro de 2011

Essência de nuances

Ao poeta Virgílio de Lemos que faz anos hoje



folhas de cores
folhas de cores de luz
abrem o tom
conforme o dia

juntam-se e arrefecem na noite fria
quase soltando-se

mas são perenes

como as nossas mãos
desde o dia em que se deram

Inez AndradePaes

domingo, 27 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

UM DIA ASSIM

prefiro varrer as folhas com os pés
fechar os olhos e guardar a chuva
para suar depois
pelas pontas dos dedos
como gotas de orvalho
a lavar o chão da eira
com restos de grãos esquecidos
a aguardar os bicos das Rolas
nos primeiros raios de Sol

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

HOMENS orthos



chamo-lhes com nomes a todas as palavras
indiferentemente
se são esguias ou mais que magras

chamo-lhes com todas as letras
altas e baixas
de estrutura seca ou mesmo molhada
ainda a acabar mesmo no fim de cada uma
cedo-lhes os acentos de rebordos largos
para que neles se governem
entre os folhos ou os trapos
mas que se deitem todas
na mesma espuma branca
em que a massa rebola
depois de sêca ...........com tinta se desenha

chamo-lhes com nomes a todas as palavras
leves aromáticas mesmo que maceradas
a deitar líquido fermente
de fermentação

chamo-lhes com nomes todas elas descalças
depois cada um se as quiser
que as calce e lhes molhe a aba
rebole com elas e se deixe estar

se vier alguém se misture ou largue

mas não me venham com coisas ............essas de estranhar
porque elas já cá estavam antes de chegar

com elas nos deitamos e com elas nos levantamos
sempre dentro da boca
esteja ela aberta ou fechada
chamo-lhes com nomes
e mais nada


Inez Andrade Paes

domingo, 16 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Todos os dias

2011 e a escravatura.
Quantas crianças estarão escondidas em mundos impossíveis.


menino
passa-te nas costas ......uma haste
apontada ao céu
de enxada em mãos tão pequenas
cavas a terra vermelha

quem te obriga meu menino
quem te obriga e passa por ti sem te ver

brincas e lamentas
com insectos
que aparecem no revolver do chão
de poeira

ficam
as cores fortes da Gala gala
e o azul que o Madindi traz do céu
quando vem beber as tuas gotas de suor

quem te obriga

menino
repousa agora
para a noite de esperança

mão generosa te pegue ......te leve embora

Inez Andrade Paes

domingo, 2 de outubro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Este Setembro



farias hoje muitos anos Pai, mais anos do que o velho Cedro
que fala com a Lua
que fala com o Sol
faz estremecer de susto quem por baixo dele passa
porque se abraça e geme

lembras-te daquela árvore
é um Cedro não igual aos outros
em cada ramo pássaros baloiçam e dormem em noites agitadas de vento

é um Cedro

o vizinho não gosta de árvores

lembras-te daquela árvore
é um Cedro ficou sem braços do lado esquerdo
são côtos espetados como lanças do lado esquerdo
como escadas
ainda se sobe enquanto a seiva passa
é um Cedro
que plantaste vindo de Melgaço

Pai
tenho dois pequeninos que apanhei e guardei em meu regaço

levo-os comigo para a casa grande
onde não há vizinho
onde é ainda campo
onde o vento sopra nos ramos
onde o Sol seca a humidade da noite


Inez Andrade Paes

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Às Escadarias de Pemba


esse passo lento com que sobes as escadas
em cada passo
no que de curto o olhar é pensamento
distante e raro mas de beleza constante
em que a particularidade do sonho
é desembainhado
quando o moscardo passa

no calor da subida em que cada degrau é um fardo
em cada passo uma memória
e a mulher na descida faz chegar ao rosto suado
vento breve mas certeiro

de que pedras raras são
esses degraus largos e compridos
de que pedras raras são

olha para trás
vê a buganvília
ainda te recebe na descida

Inez Andrade Paes

sábado, 13 de agosto de 2011

Nebulosidade no campo imaginário



se a palavra limita
que me guie até ao fim
a imaginação

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vento II



pergunto

que vento é este

despenteia a cabeça em altos e esticados cabelos
passa o de trás para a frente e de lado ficamos

pergunto

de onde vem?

não responde

a não ser
areia fina que me enche as maõs

Inez Andrade Paes