sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Todos os dias

2011 e a escravatura.
Quantas crianças estarão escondidas em mundos impossíveis.


menino
passa-te nas costas ......uma haste
apontada ao céu
de enxada em mãos tão pequenas
cavas a terra vermelha

quem te obriga meu menino
quem te obriga e passa por ti sem te ver

brincas e lamentas
com insectos
que aparecem no revolver do chão
de poeira

ficam
as cores fortes da Gala gala
e o azul que o Madindi traz do céu
quando vem beber as tuas gotas de suor

quem te obriga

menino
repousa agora
para a noite de esperança

mão generosa te pegue ......te leve embora

Inez Andrade Paes

domingo, 2 de outubro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Este Setembro



farias hoje muitos anos Pai, mais anos do que o velho Cedro
que fala com a Lua
que fala com o Sol
faz estremecer de susto quem por baixo dele passa
porque se abraça e geme

lembras-te daquela árvore
é um Cedro não igual aos outros
em cada ramo pássaros baloiçam e dormem em noites agitadas de vento

é um Cedro

o vizinho não gosta de árvores

lembras-te daquela árvore
é um Cedro ficou sem braços do lado esquerdo
são côtos espetados como lanças do lado esquerdo
como escadas
ainda se sobe enquanto a seiva passa
é um Cedro
que plantaste vindo de Melgaço

Pai
tenho dois pequeninos que apanhei e guardei em meu regaço

levo-os comigo para a casa grande
onde não há vizinho
onde é ainda campo
onde o vento sopra nos ramos
onde o Sol seca a humidade da noite


Inez Andrade Paes

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Às Escadarias de Pemba


esse passo lento com que sobes as escadas
em cada passo
no que de curto o olhar é pensamento
distante e raro mas de beleza constante
em que a particularidade do sonho
é desembainhado
quando o moscardo passa

no calor da subida em que cada degrau é um fardo
em cada passo uma memória
e a mulher na descida faz chegar ao rosto suado
vento breve mas certeiro

de que pedras raras são
esses degraus largos e compridos
de que pedras raras são

olha para trás
vê a buganvília
ainda te recebe na descida

Inez Andrade Paes

sábado, 13 de agosto de 2011

Nebulosidade no campo imaginário



se a palavra limita
que me guie até ao fim
a imaginação

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vento II



pergunto

que vento é este

despenteia a cabeça em altos e esticados cabelos
passa o de trás para a frente e de lado ficamos

pergunto

de onde vem?

não responde

a não ser
areia fina que me enche as maõs

Inez Andrade Paes

sábado, 9 de julho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Homenagem a Glória de Sant'Anna

."A essência das coisas é senti-las"

Poesia de Glória de Sant'Anna e Música do Maestro Vasco Pereira no Centro de Arte de Ovar, 3 de Julho às 21.00


Inez Andrade Paes

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PARA TODOS OS MELROS EM LIBERDADE


meu canto
se desnuda em breves pausas
para que de ti se oiça
esse assobio altivo

Inez Andrade Paes


Caça aos Melros

quinta-feira, 2 de junho de 2011

CASA


ergo o olhar para o chão de terra
morna infância a tocar nos muros com formigas

em redor a ausência das vozes

no entanto danço

raspo os dedos na cal branca
de meus pés um traço em arco
na terra perfurada de breve chuva

um laço trouxe como amuleto

albergo-o no golpe do peito
esperando abri-lo no mar
quando mergulhar

tenho saudade de ti
do teu amparo

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Poema



...e Virgílio de Lemos oferece-me este "...branco silêncio da palavra..."


"Na vertigem de um vôo talvez acessível nos seja a beleza
nunca o infinito nem o eterno
quer sob a chuva a tempestade o sol
a brancura de uma luz que emerge imaterial e nua
solidária de uma alma de sangue.

Na Válega se escuta a voz de uma mulher e de sua poesia.

Grãos de sal de tua bôca, arco-íris de teu coração
Inez
o branco silêncio da palavra acontece."


Virgílio de Lemos
26 de Maio de 2011 - Les Moutiers en Retz