terça-feira, 21 de junho de 2011

Homenagem a Glória de Sant'Anna

."A essência das coisas é senti-las"

Poesia de Glória de Sant'Anna e Música do Maestro Vasco Pereira no Centro de Arte de Ovar, 3 de Julho às 21.00


Inez Andrade Paes

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PARA TODOS OS MELROS EM LIBERDADE


meu canto
se desnuda em breves pausas
para que de ti se oiça
esse assobio altivo

Inez Andrade Paes


Caça aos Melros

quinta-feira, 2 de junho de 2011

CASA


ergo o olhar para o chão de terra
morna infância a tocar nos muros com formigas

em redor a ausência das vozes

no entanto danço

raspo os dedos na cal branca
de meus pés um traço em arco
na terra perfurada de breve chuva

um laço trouxe como amuleto

albergo-o no golpe do peito
esperando abri-lo no mar
quando mergulhar

tenho saudade de ti
do teu amparo

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Poema



...e Virgílio de Lemos oferece-me este "...branco silêncio da palavra..."


"Na vertigem de um vôo talvez acessível nos seja a beleza
nunca o infinito nem o eterno
quer sob a chuva a tempestade o sol
a brancura de uma luz que emerge imaterial e nua
solidária de uma alma de sangue.

Na Válega se escuta a voz de uma mulher e de sua poesia.

Grãos de sal de tua bôca, arco-íris de teu coração
Inez
o branco silêncio da palavra acontece."


Virgílio de Lemos
26 de Maio de 2011 - Les Moutiers en Retz

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Linho

Linum



hoje está nevoeiro

vens no dorso de Tito
com teu Cavaleiro

Inez Andrade Paes


" Trazes beijos de flor de linho
..que as tuas mãos semeiam
..no vento
..que alisa o silêncio
..do nosso caminho "

Andrea Paes


"Olho-te num passado longe... longe
tal como eras ...tal como és ainda"

Milú






quinta-feira, 19 de maio de 2011



menina não chora
aquela árvore só está a apanhar ar nos pés

gotas fortes
quase a cair dos olhos
de nó na garganta apontava o dedo àquele tronco tombado que faria mais de trinta passos ao comprido
e mais de quatro na largura
deitou-se de costas sobre ele e de braços abertos ao céu falou com a árvore, de cabeça de lado
rosto a bater na casca para a ouvir melhor

tinha sido plantada pelo vento quando a semente voou
voou e só ali parou
todos os anos por ali passavam - um velho, um macaco e um elefante -

o velho recostava-se na parte mais macia da base do tronco a descansar da caminhada
o macaco subia ao galho mais alto para ver quem vinha e quem não vinha
o elefante comia muitas folhas e coçava o traseiro enquanto falava com a árvore e lhe dizia que seguia caminho para procurar água

a menina ouviu todas as histórias que a árvore tinha e adormeceu
quando acordou o velho o macaco e o elefante parados como estátuas não deixavam ver a luz do sol que por trás aquecia

a menina tremia
não tenhas medo diz o velho
não tenhas medo diz o macaco
não tenhas medo diz o elefante eu desvio-me do sol e ficas quentinha

menina não chora
esta árvore só está a dormir

ela já não dorme mais
contou-me os seus dias e pediu-me que a levasse esculpida em barco para o pé da outra árvore do lado de lá da Baía

hoje

os ventos sopram, ouvem-se as duas árvores a falar
quando as ondas batem abraçam-se no movimento de cada onda
o velho, o elefante, o macaco e a menina estão também do outro lado da baía
com as árvores e um coelho que vive numa das raízes

se lá formos eles contam-nos o resto das histórias


Inez Andrade Paes

terça-feira, 10 de maio de 2011

Conjuntivite


É de manhã de manhãzinha quando o orvalho ainda brilha em cima das folhas onde o sol indirectamente bate e faz fumegar o chão.
É de manhã de manhãzinha e cada gota demora a cair da folha levando-a quase a tocar no ramo de baixo. Só estes ruídos quase imperceptíveis, até surgirem os primeiros cantos dos pássaros.
Marca o som de um motor leve, quase discreto que a modernização dos tempos fez com que ocupasse o lugar do pulverizador de tanque de cobre e de punho por cima do ombro, em que o braço é motor e em movimentos de bomba vai fazendo o jacto sair.
Julgava ser proibido o uso de herbicidas. Julgava. *
Desta frescura matinal, o batatal do Sr.Domingos, faz anos, dá belíssimas batatas sem bicho, sem marcas de dentes de ratos e sem traça, quando espera para ser consumida e repousa nas esteiras cheias de pó para as traças. Este faz com que tenhamos que tomar um outro, não direi , para o tratamento de algum mal advindo deste tão usual pó para as traças.
Contente o Sr.Domingos com seu novo pulverizador a motor, carradas de veneno com uma pequena solução de água, a que chamam remédio de escaravelho. O seu cãozito solta-se e passa a correr no batatal. Um problema grave de conjutivite diz-me a Sra.Rosa. E o Leão que julgavam iria crescer um pouco mais, daí o nome, está triste e chora, não porque queira mas porque está com uma conjuntivite e até se pode lavar com uma solução de malvas que também foram pulverizadas contra o escaravelho porque nascem perto do batatal.
É nestas manhãs que me preservo dos fluídos visíveis e discretamente audíveis e devia sim aproveitar a luxuriante vegetação que a Primavera ajudou a rebentar. Daqui a dias estará parte queimada e surgirão testemunhos de que fábricas lá longe fizeram as suas descargas de químicos para a atmosfera e como o gás é pesado, surge como quem rasteja para atacar o inimigo. Ao passar queima tudo deixando um rasto desolador.
É visível aos olhos de todos, aqui em Portugal.
É usual as autarquias e câmaras terem nos seus armazéns os motores, os pulverizadores, os pacotes de veneno que nós pagamos nos impostos e do qual não somos a favor.
Até quando meus senhores?Até quando?
As organizações pro Natureza, acotovelam-se e sentam-se em conferência com as nossas representações regionais, autárquicas, governamentais. Tudo se descentralizou para o bem particular e o Sr. Domingos até tem assento, na autarquia, mas a economia demove-os a todos e no fim das reuniões as cláusulas que de início eram urgentes e de perigo público, passam a segundo ou terceiro plano. Tudo em prol da economia. Tudo a favor de um bom ordenado, tudo em luta porque A ganha mais do que B e tudo em guerra e salivação constante porque o latim já não é suficente para tanto argumento para as suas bolsas.
E quem fica para trás?
O Leão, que afinal não cresceu e por isso tem a pouca sorte de estar com os olhos à altura do batatal, as Rolas Turcas que vieram para a Península Ibérica porque no Norte de África já não há lugar e aqui ocuparam o das Rolas-comuns que estão quase em extinção. Nós, que já é raro ver estas manhãzinhas luxuriantes porque o tempo não deixa, para arranjar dinheiro para comprar na farmácia o medicamento para a conjuntivite que nos está a atacar também através da água do poço com a qual lavamos a cara de manhã.
Quem vai lavar estes olhos todos?
Os grupos farmaceuticos esfregam as mãos com o creme feito de óleo de Baleia.
Os accionistas frenéticos e de chiclete apostam nas companhias farmaceuticas, e nós de óculos escuros, por causa da conjuntivite a ajudar o fabrico de novos óculos de Sol.
Antes que a conjuntivite nos pegue a todos, com a Natureza cuidem do vosso quintal. Através dela temos os remédios para tudo. Recolham e escolham as melhores sementes e não se iludam com verbalizações poderosas que a economia faz para as suas bolsas e não as nossas. Um dia não será o dinheiro que terá valor, mas as sementes, não aquelas que nos querem impingir, as nossas.

- Quanta falta de informação e tamanho hábito ao uso do que pensava eu ser proíbido.
Pelo menos na UE. Europa Unida ou União Europeia?
Esta Europa e seus assentos e acentos (atenção ao acordo ortográfico), não sabem que o remédio de escaravelho pode ser substituído por Rolas. Elas ocupam os batatais em pequenos bandos, porque já não são grandes e em movimentos certeiros apanham um a um os escaravelhos. -

Inez Andrade Paes

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sem imagem

Se a indignação não me tocasse neste e em muitos casos sociais, é lógico que não escreveria a dizer-vos fosse o que fosse, mas faço-o também para ser, ainda, mais uma outra mão, de alguém que me pede ajuda porque está na frente de combate e eu ocupo assim um lugar de funcionalidade da palavra e da palavra Vida no aspecto gráfico no espaço e no sentimento, particular de cada um que se desenvolve em variações possíveis para se juntarem ou não a esta luta. Luta, sim, porque não são só os políticos que devem lutar e dar a cara ao seu País, devemos nós também dizer porque somos responsáveis, mesmo que venha alguém e diga: - lá vem esta com moral - esta com moral - sabe o que está a dizer e sofre. Quando lhe exigem que pague contribuições, paga, mas não quer estar a ser representada por pessoas que não sejam dignas das palavras que usam.-
Sim, a moral da vida - temos nós curso superior - e nem sabem o particípio passado dos verbos, ser, estar, morto; ter ou haver, matado e nem mesmo neste erro reparado reflectem na palavra que é tão forte e se pondere nela. Morte.
Esta, por escalpelização ainda vivo. O Animal. Ainda vivo.
Reparem na indignação da prática do troféu em forma de escalpe, que os Índios Americanos praticavam.
O que será agora destes escalpelizadores e matadores contratados? Por quem? Por que empresas? Por que países? Por que governos que nos representam?
Perguntam: - e o que iremos comer - rapidamente lhes responderia se a má criação fosse o meu forte.
Peço pois a vossa atenção senhores que nos regem e nos representam e com desenvoltura se preparam para os vossos discursos nos parlamentos vários, já que somos uma Europa Unida, a ver se se safam das maleitas deixadas ao povo pela vossa gerência económica. Peço-vos:
- Olhem por estas vidas que estão a olhar pelas vossas.

A minha luta é só uma: A vida.
A quem lhe foi dada, não lhe pode ser negada, todo o ser que se move, liberta.
Vida.


Inez Andrade Paes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Segredos

são pedras preciosas polidas em caixas fechadas
quando se abrem
ficam baças


Inez Andrade Paes

sexta-feira, 25 de março de 2011

ANJOS QUE ESPERAM

somos anjos dos que estão
depois da morte

somos a mão que dependerá
da pausa para o pensamento

somos anjos de azul celestial

de nossos véus pousados no rio
virão barcas
com faces voltadas umas contra as outras

e enfim elas não sabem nada
e enfim elas acreditarão
na luz eterna

somos anjos dos que estão
depois da morte

Inez Andrade Paes

Acordei com a lembrança da voz de Yma Sumac. Este pássaro de olhos rasgados e voz singular permanece no imaginário. Grande a voar sobre as planícies com montanhas em volta.
Chuncho é exemplo.


sexta-feira, 18 de março de 2011

PAREDES ABERTAS AO CÉU




POEMA 22

há uma luz que acorda os adormecidos
e mostra os esquecidos

há uma mão que acaricia as frontes
e as deixa macias

há um encostar de faces tristes
que ilumina o olhar

a luz que toca nas mãos
deixa o coração feliz e grato


Inez Andrade Paes
in Paredes Abertas ao Céu

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Retrato do Poeta"

Retrato do Poeta (detalhe) de Rui Paes, 2009


vejo-te
na hora tardia de Sol
que se põe
.
morno

..Inez Andrade Paes



Lorraine Hunt - Lieberson at Ravinia. Baghdad Cafe: Calling You