
- Se eu tivesse as asas que me caíram ontem? - choramingava o Gato-preto do muro -
- Se tu tivesses as asas que te caíram ontem Gato? As laranjas caíriam ao chão. - respondiam as Rolas-turcas -
- Se eu tivesse as asas de ontem? - repetia-se o Gato-preto -
- Se tu tivesses as asas de ontem, voaríamos até ao alto daquele telhado. - respondiam as Rolas-turcas -
- Se as asas me tivessem querido até hoje? - continuava o Gato-preto
-
- Não estaríamos aqui Gato. Porque do alto do telhado te avistaríamos como o Gavião avista a mais pequenina ave. - respondiam as Rolas-turcas -
- Ajudem-me aqui a chegar até esse ramo. - pedia o Gato-preto -
- Não podemos Gato, o teu corpo é mais pesado que o nosso e caíriamos os três ao chão e nossas cabeças seriam um batuque para todas estas laranjas que aqui estão. - respondiam as Rolas-turcas -
- Resta-me aqui ficar a olhar-vos, belas Rolas. - suspirava o Gato-preto -
- Serás então nosso espelho, Gato. Com esse teu belo e negro brilhante pelo. - respiraram fundo as Rolas-turcas -
Inez Andrade Paes