quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

GAVIÃO



deste teu olhar Gavião
de desprezo absoluto
ou indignação? .......és um jovem caçador

das aves de rapina o mais rápido
nos espaços exíguos das moitas
sai de lá com sua presa

na particularidade com que depenas a ave pequenina
brevemente páras e olhas em redor
com teus olhos de sobrolho em riste
grande em cabeça pequena
qualquer outra ave ..........de. pena
desaparece com tua presença
a não ser a da tua espécie que te cobiça a presa

deste teu olhar Gavião
quanta liberdade poderás viver ainda
?

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Trocando palavras

"...pena que Dr. Adrião Rodrigues , homem de tal envergadura moral e intelectual , não tenha assistido à queda de um ditador por vontade firme do Povo Egípcio na Praça Tahrir LIBERDADE, e ver como esse sentimento conquistado se traduz num fogo de artifício surpreendente e mágico. Momento histórico que mudará a cena política em todo o Oriente.
A imprensa tornou-se livre e conquistou sua legítima liberdade."

Inez Andrade Paes e Virgílio de Lemos, esta noite de 11 de Fevereiro entre as dunas da Bretanha do Sul e a Quinta entre braços de Ria.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O GATO-PRETO E AS ROLAS-TURCAS DA LARANJEIRA


- Se eu tivesse as asas que me caíram ontem? - choramingava o Gato-preto do muro -
- Se tu tivesses as asas que te caíram ontem Gato? As laranjas caíriam ao chão. - respondiam as Rolas-turcas -

- Se eu tivesse as asas de ontem? - repetia-se o Gato-preto -
- Se tu tivesses as asas de ontem, voaríamos até ao alto daquele telhado. - respondiam as Rolas-turcas -

- Se as asas me tivessem querido até hoje? - continuava o Gato-preto -
- Não estaríamos aqui Gato. Porque do alto do telhado te avistaríamos como o Gavião avista a mais pequenina ave. - respondiam as Rolas-turcas -

- Ajudem-me aqui a chegar até esse ramo. - pedia o Gato-preto -
- Não podemos Gato, o teu corpo é mais pesado que o nosso e caíriamos os três ao chão e nossas cabeças seriam um batuque para todas estas laranjas que aqui estão. - respondiam as Rolas-turcas -

- Resta-me aqui ficar a olhar-vos, belas Rolas. - suspirava o Gato-preto -
- Serás então nosso espelho, Gato. Com esse teu belo e negro brilhante pelo. - respiraram fundo as Rolas-turcas -

Inez Andrade Paes

domingo, 16 de janeiro de 2011

ANJO DE ALBA



meu anjo de papel
tu voas
tu voas para lá de mim

peço ao vento que te traga
numa lufada
de bom ar
..................e um pouco de cheiro
a jasmin

meu anjo tu foste

mas voltas sempre......... até mim


Inez Andrade Paes

domingo, 19 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

MULHER PERDIDA NA CIDADE


vejo uma mulher curvada a correr de sombrinha na mão
seria sombrinha se o sol ali estivesse
agarrada a ela como a degolasse
miseravelmente arrastadas
as duas
uma na outra

seriamente
reparo na aflição do olhar dela com a sombrinha na mão
que ergue agora como bandeira
para passar o trânsito veloz com cavaleiros defesos
de olhar feroz

atravesso-me na via
com os cavaleiros atrás
de lufadas quentes nas narinas e relinchos perdidos
na nossa atenção
na da mulher com sombrinha na mão
e na minha chamada transgressão
aos olhos da civilização

como poderá hoje uma mulher do campo atravessar a estrada
de sombrinha na mão num dia de chuva?

miseráveis cavaleiros
de embustes caseiros sem chuleios nem alfinetes
que lhes agarrem as vestes

Inez Andrade Paes

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

QUERER, TER E SER



breve é a palavra no momento que me contém
na insidiosa ferida que se abre mais ao céu

aromas na lembrança
apaziguam a Fé
alterada
disforme mágoa
repetidamente insana

ai carne, da mesma carne
visível ao disfrute velado
em que teu olhar
avança e esconde

ódio em tuas palavras
ai carne, da mesma carne
levanto as mãos ao céu
pedindo vigilia
para que te cure
de anos atrás
de grades ............sonhando
vales
para teus servos de serapilheira
com bandejas de prata

olha para mim .....carne da mesma carne

teu sangue escorreu num fio ........de longo
teus planos misturaram-se com teu cavalo ...e teus ogres

peço ao céu tua cura
em oração que resvala de meu peito lavado
por esta mão materna


Inez Andrade Paes

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

VALENTES ESTAS AVES


O bico deste pássaro foi-se formando de uma valente cagadela de uma Rola-turca no vidro da janela, quando esta aterrava no telhado.
De noite a valente cagadela transformou-se em novo pássaro, de asas presas e em posição de sono profundo e meditação.
Seu corpo transformado nesta noite de um Outono não tão fresco, mas de horas peculiares como esta.



Elas, Rolas e cagadelas, aqui andam felizes nos ramos da velha Nogueira.


Inez Andrade Paes

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UNIÃO



ando de braço dado com a solidão
ligeira e acordada
na penumbra do dia que quase se acaba

ando de braço dado com a solidão
ligeiras as duas
como sombras uma da outra
alegres llllldoutas
nos campos rasos de água
da chuva lançada
em torrentes e bátegas que acabam

percorro o seu perfil
exacto
claro
que por vezes se confunde com o meu
quando o olhar de manhã se abre
e me dá a mão para levantar
da profunda solidão em que as duas nos afundamos
na noite secreta

envolvo-me em ti
como aquela dobra fechada do tecido grosso
da cortina que abana

solidão
chamo-te aqui
perfeitamente lúcida
da imensidão de que me apoderas

só de braço dado
só com a solidão

permite-me olhar por aquela janela
e perguntar ao mundo porque chora em si
se todos nós estamos
de braço dado com ela

Inez Andrade Paes

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

HOJE




Este calor parado é prenúncio de tempestade. Só se os Deuses tiverem piedade de nós e agarrarem nas nuvens e as esfarraparem como algodão.
Arrefecerá sem força.
Arrefecerá com uma brisa fresca como água de riacho percorrendo em plena sombra de árvores frondosas.
Arrefecerá como nos dias de Inverno em que o frio já é frio e os Deuses nos castigam
com as nuvens esfarrapadas no céu.

Este calor parado abranda o ritmo sem cálculo.
O ritmo sem uso.
O ritmo desprezado e mal amado para a certeza das coisas que nos são dadas.

Este calor parado faz olhar para o abandono dos campos queimados
Este calor parado faz pedir as sombras das árvores abatidas
Este calor parado não faz mover os servos da economia.

Se puderem, nem que seja um arbusto daninho deitem-lhe um pingo de água.
Eu regarei as árvores por cima em mangueiradas de repuxo em arco, para que ajudem as mais pequenas que quase desistem da vida.

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A FESTA

gala galas
de gala em gala
as gala galas
engalanadas de cores raras
para galas de golas abertas
quando iradas
ao sol paradas

atentas a ti ..........correm
passam-te o caminho
de sol tórrido
e as golas já baixas
mas ainda com cores raras

agora douradas
mas sem nenhuma gala
as galardoadas gala galas
ficam paradas
a mostrar sua medalha
na gola de gala
já apertada

aquele olhar de trunfo
quando esbeltas enaltecidas
em cima da rocha prateada

ó gala gala! .........de gola
abre-te agora ao vento
repara
como teu brilho
se mistura com a rocha

mas cuidado
não fiques tanto tempo parada
que o brilho cega
e não vês
a outra que passa


Inez Andrade Paes

terça-feira, 22 de junho de 2010

ESSA ROSA BRANCA QUE O TEMPORAL NÃO DOBRA



uma rosa branca ergueu-se em pleno desgaste

no temporal



ergueu-se dentro dos ramos nus

com pétalas ainda direitas

BBBBBde dobras quebradas



ergueu-se

limpa e quase desnuda

a mostrar a honra de ser rosa



o marfim que o sol tingiu nela

fortificou o ser BBBque habita

e equilibra



uma rosa branca marfim ergueu-se em pleno desgaste



Inez Andrade Paes